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Casa de Recuperação Jardim de Deus

Informações ao familiar

Aqueles que estão desejando sua recuperação (família, amigos, namorada), podem contribuir seguindo nossas orientações e incentivando a permanência dele até o final do tratamento, e nos dias de visita, não ceder a manipulações emocionais do tipo : ''Eu já estou bom'' ou ''Nunca mais usarei'', ou ainda ''estou com saudades da família'', ''foi a pior coisa que vocês podiam fazer''. Temos que compreender que há muito tempo ele vem sendo enganado pela droga e vem enganando a todos. Amar e desejar que ele se recupere exige que todos suportem juntos este período.

UM GUIA PARA A FAMILÍA DO ADICTO E DO USUÁRIO DE DROGAS.

A melhor defesa de uma família para o impacto emocional do abuso de drogas é adquirir conhecimento, alcançando assim a maturidade e a coragem que são necessárias para torná-lo efetivo.

Pessoas que são capazes de ajudar adictos ou usuários, fora de sua família, tornam-se confusas e destrutivas, quando um membro de sua própria família se envolve com este problema. O parente mais próximo ou a pessoa que se sentir mais responsável pelo dependente, em geral, precisa de mais assistência e orientação do que o próprio "usuário". Dependência química é uma doença que tem um impacto tremendo sobre os familiares mais próximos, e os mais afetados são os pais, maridos ou mulheres, irmãs e filhos. Quanto mais distorcidas ficam as emoções destas pessoas, mais inadequada fica a sua ajuda. A internação entre o usuário de drogas e sua família pode e frequentemente se torna destrutiva em vez de construtiva.

Por exemplo, os mais chegados ao usuário ou adicto podem achar-se culpados por todas as suas dificuldades. Isto pode chegar a um ponto em que começam a ter medo diante da possibilidade de que isto seja verdadeiro. Contudo, a adicção é uma doença. Ninguém é responsável pela dependência de drogas de outra pessoa ou pela sua recuperação. No entanto, por falta de conhecimento, aqueles mais chegados ao dependente podem permitir que a doença passe despercebida, apoiar o seu desenvolvimento e contribuir para que o tratamento seja evitado. Através da compreensão do problema e com coragem, o familiar pode tomar atitudes que levam o dependente a uma recuperação antecipada – apesar desta recuperação não poder ser absolutamente assegurada.

As pessoas diretamente envolvidas na vida do dependente não podem "tratar" da doença. Nenhum médico se automedica numa doença grave, e poucos atuarão como médicos para a sua própria família, especialmente marido e mulher, pais e filhos. A medida que o abuso de drogas progride, aqueles mais próximos do dependente ficam emocionalmente envolvidos. A melhor ajuda que eles podem dar, inicialmente, é procurar auxílio e orientação para a sua própria situação, para que eles não atuem como facilitadores apoiando o padrão progressivo da doença da dependência química. Os erros cometidos por pais e parentes próximos, cheios de boas intenções, são inacreditáveis e, na maioria das vezes, tornam mais difícil à recuperação do dependente de drogas.

Antes de mais nada, é preciso compreender que a família pode fazer tudo que é conhecido e dado como certo, porém a doença pode prosseguir incontrolada. No entanto, se a família estiver disposta a aprender os fatos reais sobre o abuso de drogas e dependência química, e fazer o uso desse conhecimento, as possibilidades de recuperação aumentam consideravelmente. Na realidade, a melhor forma de ajudar na recuperação de qualquer adicto ou usuário, é remover a ignorância, adquirir uma atitude adequada – baseada no conhecimento – e ter coragem de praticar estes princípios, quando estiver lidando com o dependente. Começar de forma habitual, na tentativa de ajudar o dependente a parar de usar drogas, sem primeiro aprender a olhar atentamente as próprias reações e tentar fazer esforço efetivo de mudanças em si mesmo, simplesmente fará a situação piorar.

Inicialmente, precisamos compreender que os problemas da dependência química não estão somente nos químicos, mas nas pessoas que estão usando estes químicos.

No entanto, a recuperação verdadeira só começa quando a pessoa inicia o seu afastamento completo do uso de drogas, do álcool ou de outras substâncias que alteram a mente. Recuperação é algo semelhante a construção de um arco gótico. Existem fundações invisíveis, muitas pessoas podem colocar várias pedras no arco, mas a pedra angular tem que ser colocada pelo próprio dependente, senão a estrutura toda cai. Ninguém pode fazer pelo dependente aquilo que só ele pode fazer por si próprio. Você não pode tomar remédio pelo paciente e esperar que o paciente se beneficie. Opções e decisões tem que ser feitas e tomadas pelo dependente, por vontade própria, para que a recuperação ocorra em bases permanentes.

É assustador como o dependente controla a família, especialmente pai e mãe, a mulher ou o marido. O dependente usa drogas cada vez mais. A família berra, grita, esbraveja, implora, pede, reza, ameaça e pratica o silêncio como o remédio. Mas também, encobre, protege e defende o dependente das consequências do uso de drogas. Se o dependente continua agindo como um pequeno Deus, é porque a família ajuda a manter a ilusão da onipotência. Para preservar esta neurose de onipotência (a tentativa de agir como Deus), o dependente tem duas armas primordiais:

AS ARMAS DO DEPENDENTE

A primeira arma é a habilidade de provocar raiva ou perda de controle das emoções. Se o familiar ou amigo fica zangado ou hostil, sua habilidade de ajudar o dependente é destruída completamente. Consciente ou inconscientemente, o dependente está rejeitando uma imagem de auto-aversão contra a outra pessoa.

Quando aqueles mais próximos do dependente reagem com raiva, de uma maneira hostil, ele se sente justificado no abuso anterior e tem mais desculpas para repetir o uso de drogas no futuro. Os deuses primeiro provocam raiva naqueles que eles querem destruir, e o dependente tem uma longa experiência de agir como um pequeno Deus. Se perdermos a calma,todas as chances de poder ajudar são jogadas fora pelo menos naquele momento.

A segunda arma é a habilidade de provocar ansiedade na família. Assim, os familiares são muitas vezes compelidos a fazer pelo dependente aquilo que somente ele deveria fazer por si mesmo, para que a doença possa ser detida. Nos seus esforços errados, feitos para ajudar, familiares se encontram repetidas vezes protegendo o dependente das consequências de suas ações, encobrindo, protegendo, proporcionando espaços para que ele possa se destruir. Um "cheque sem fundos" é um bom exemplo para ilustrar este principio. O dependente não tem dinheiro para honrar o cheque. Quando a ansiedade ou o constrangimento da família se torna profundamente intenso, com o que poderá acontecer com este cheque sem fundos, eles garantem o dinheiro e cobrem o cheque.

Isto alivia a ansiedade da família e do dependente, mas estabelece um padrão de comportamento para o dependente na área de solução de problemas. Ele agora aprende que a família não vai deixá-lo sofrer as consequências de suas ações e tem certeza que isto vai acontecer, sempre que ele passar "cheque sem fundos".

ABUSO DE DROGAS, UMA DOENÇA DA FAMÍLIA.

O dependente de drogas é levado à progressão da doença, quando aqueles que o cercam são incapazes de lidar com a ansiedade que ele provocou. Isto é, com efeito, parte da doença. Nem o dependente, nem aqueles emocionalmente envolvidos com ele são capazes de enfrentar a realidade. A emissão de um cheque sem fundos e o resgate do cheque, pela família, nada mais são do que dois lados do mesmo problema. O dependente não pode desfazer o que os outros fizeram. Se a família resgata o cheque, o dependente não pode fazê-lo, e, portanto, este fracasso se torna permanente. Isto, na realidade, aumenta o sentimento de fracasso e culpa do dependente e aumenta o sentimento de hostilidade e condenação da família. A situação toda piora. A família não passou o cheque sem fundos mas, ao resgatá-lo, de algum modo, deu a sua aprovação àquele ato, enquanto o condenaram verbalmente.

O adicto ou usuário pode continuar negando que tenha um problema de abuso de drogas e que precisa de ajuda, enquanto a família lhe der proteção automática ou livrá-lo das consequências. Cada vez que a família reage, na sua maneira usual, o crescimento da sua maturidade fica perdido e comportamento imaturo do dependente é perpetuado e encorajado.

A raiva e a ansiedade devem ser evitadas pela família ou ela contribuirá para a progressão da doença. Os membros da família devem primeiro aprender a lidar com seus próprios problemas, antes que quaisquer efeitos benéficos possam atingir o adicto ou o usuário. A ajuda para o dependente de drogas e para a sua família deveria ser procurada fora do círculo de parentes, amigos e de vizinhos. De preferência, deve vir de pessoas treinadas nesta área de trabalho ou de programas de recuperação. As famílias podem ajudá-lo, estando prontas para sugerir recursos, tais como o programa dos Doze Passos ou com o aconselhamento profissional. Quando membros procuram ajudar, individualmente, no mesmo programa ou num programa semelhante, tal como dos Grupos Familiares NAR-ANON, muitas vezes lançam as sementes para a recuperação da família.

AMOR E COMPAIXÃO

Um dos maiores fracassos na abordagem de pessoas que abusam de drogas é a inabilidade para se compreender o significado do amor. Da mesma maneira que não se tem o direito de declarar: "se você me amasse,você não teria diabetes", não se tem o direito de declarar: "se você me amasse, não usaria drogas".

O uso excessivo de drogas revela a existência de uma doença e doença é uma condição não uma atitude.

Não está longe da verdade dizer que o dependente se sente não amado e não desejado... não é sem razão. O amor não pode existir sem a dimensão da justiça. O amor também precisa de compaixão, que significa suportar com ou sofrer com uma pessoa. Compaixão não significa sofrer por causa da injustiça de uma pessoa. No entanto, os que estão próximos do dependente sofrem suas injustiças repetidamente.

Narcóticos, sedativos e álcool são drogas que aliviam a dor. Este é o prazer da fuga química. É um artifício solucionador de problemas, que alivia o desconforto, a ansiedade, a tensão e o ressentimento. Drogas, incluindo o álcool, permitem ao indivíduo evitar momentaneamente a dor, mas na família, a dor, tensão, ansiedade e ressentimento são violentamente aumentados.

Quando o efeito das drogas passa, quando o indivíduo está limpo e sóbrio, ele não mais deseja sofrer as consequências do uso de drogas. Pode até haver um desejo enorme de não discutir o que aconteceu ou o reverso da medalha também pode surgir, remorso e culpa podem compelir o dependente a mostrar-se perante a família, suplicar misericórdia e prometer que não acontecerá de novo. Cada tentativa é a de atingir a mesma meta – evitar as consequências do abuso de drogas. Se o dependente tiver sucesso com um dos dois métodos, sua dor é novamente evitada ou aliviada, mas a família de novo paga o preço do alcoolismo ou da adicção.

O AMOR É DESTRUIDO.

O amor não consegue substituir a esse tipo de ação e de interação. O dependente usa drogas ou álcool para escapar da dor e aprende como usar a família para fugir das consequências dolorosas. A família sofre quando o dependente usa drogas e também sofre as consequências dolorosas. Se a família suporta a dor e absorve as consequências, então a compaixão não poderá existir. Compaixão é suportar com ou sofrer com a pessoa, e não sofrer por causa do desejo de não sofrer da outra pessoa.

O único meio do amor substituir é que a família aprenda a não sofrer, quando o uso de drogas do dependente estiver progredindo, e se recusa a desfazer as consequências do seu uso. Qualquer coisa diferente, ou menos que isto, não é compaixão e qualquer relacionamento sem justiça e compaixão não é amor.

Fatores que complicam a situação familiar estão muitas vezes envolvidos. Há esposas que precisam de maridos dependentes e maridos que precisam de esposas dependentes para alimentar suas neuroses pessoais. Isto também pode ser verdade de uma relação de pais, irmãos e irmãs. Cada um de nós precisa olhar bem para si mesmo, para ter certeza de que essa necessidade não existe.

Masoquismo é a necessidade de sofrer para poder encontrar um senso, de auto-estima e valor na vida. É encontrado, às vezes, em mulheres ou mães de usuários de drogas, pois elas dependem desse meio de sofrimento para satisfazer suas próprias necessidades emocionais. Algumas pessoas são sádicas e precisam ter alguém a mão para castigar e o dependente serve para este propósito.

Outras precisam dominar e controlar outras pessoas e dependentes suprem e se encaixam no exercício desse controle e domínio. Se qualquer destas três situações existir, então o não usuário pode ter uma doença mais séria ainda que a dependência química, e esta precisa ser tratada e detida, para que esta pessoas possa tomar uma atitude que não seja a de contribuir para o progresso da dependência.

A SOBRIEDADE A LONGO PRAZO.

Um erro frequente é simplificar o problemas em termos de que basta manter o dependente afastado das drogas ou manter as drogas, e os amigos que usam drogas, longe dele. Isto não pode ser imposto, a não ser pela prisão ou confinamento. E mesmo assim, a criatividade humana parece permitir que eles, nessas circunstâncias, consigam encontrar uma fonte de suprimento. De qualquer modo, uma batalha vencida hoje será travada novamente amanhã.

Enquanto nenhuma pessoa responsável pode se permitir ter tolerância sobre atos ilegais ou substâncias químicas em sua própria casa, a maioria dos esforços feitos para manter alguém livre do uso de drogas leva, simplesmente, a revolta e a mais uso de drogas. A única maneira de se conseguir uma motivação mais ampla é oferecendo amor e compreensão, principalmente enquanto o dependente estiver limpo de drogas, mas, no entanto, não permitindo que o uso e todas as consequências se tornem tão dolorosas em si mesmo, que o motivem, eventualmente, a procurar alivio para a dor intolerável, causada pelo uso de drogas. Isto significa sofrimento, mas sofre com ele as consequências dolorosas e não se tornando um agente de fuga dessas consequências. Isto significa ter coragem de sofrer constrangimentos, pequenos e grandes, privações financeiras, condenação de parentes, vizinhos e de outras pessoas bem intencionadas e, algumas vezes , separações temporárias de forma variadas e sombrias. Precisamos oferecer alegria, quando o dependente estiver livre de químicas, mas no entanto, permitir que as consequências do uso se tornem agudas, se quisermos antecipar uma recuperação abrangente e definitiva.

Em geral, todo o esforço é dirigido para modificações, quase sempre puramente artificiais, no dependente. No entanto, em quase todos os casos, uma modificação na família é necessária, antes de qualquer mudança no dependente possa ser antecipada. Não fazer nada é impossível. Como regra geral, não fazer nada significa aceitar que a situação seja negligenciada e explorada, é reagir de um modo inativo, passivo e destrutivo. A família sempre interage com o adicto e usuário, não importa quão limitando seja o contato pessoal. O importante é aprender quais as internações destrutivas e quais as que poderiam ser criativas e, então, ter a coragem de tentar uma abordagem criativa. A modificação deve começar pelo não-dependente. O dependente não procurará ajuda para a recuperação enquanto suas necessidades imaturas forem supridas e seus problemas resolvidos pela família ou por amigos.

A recuperação de qualquer doença grave pode levar um tempo considerável, podendo acontecer recaídas. O mundo não vai acabar se depois se um período sem drogas, o dependente retornar o uso. Se a família não entrar em pânico e retornar à forma destrutiva anterior de lidar com o problema, o escorregão pode ser usado com vantagem e servir como uma lembrança valiosa de que a primeira pílula ou gole ou tapa tem que ser evitados. No processo de recuperação não se pode esperar que toda a ação compulsiva desapareça da noite para o dia. A família pode até questionar o envolvimento intensivo do dependente com o seu grupo ou com a sua terapia, pois ele pode se tornar tão compulsivo no seu tratamento de recuperação,como era em sua adicção.

Estrada de Cabuçu nº07 Bairro Cabuçu, Itaboraí - RJ / Telefones: 55.21 3636-2040 / 96457-1126 / 97020-3141

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